Minissonhos
Minissonhos
Um encantamento: entre a imaginação e a palavra. Ouça um miniconto! Minissonhos é uma série de podcast com 34 episódios baseados no livro homônimo do escritor Sinuhe LP. Criação e texto: Sinuhe LPCapa: Ana ZequinTrilha sonora: Emanuel SouzaTema de abertura: Alu SantoO projeto foi financiado pelo Programa de Estímulo À Cultura (PEC) de Bauru (2022).
Não deixe de visitar o site do podcast e apoiar quem o produz: www.minissonhos.com
Autor
Minissonhos
Categoria
Site do podcast
Último episódio
29 de fev de 2024
Onde ouvir?
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Episódios
Minissonhos | Audiobook 29.02.2024 48:24
Minissonhos é o podcast do livro infantojuvenil Minissonhos (Ed. Urutau, 2022), escrito por Sinuhe LP e ilustrado por Ana Zequin. O projeto foi financiado pelo Programa de Estímulo À Cultura de Bauru (PEC/2022). Elenco Sinuhe LP Marcelino Freire Celeste Antunes Luísa Ramos Renata Alves Paulo Novaes Renato Rapnobre Sol Maurício Pereira Bebé Pacheco Renata Hein Caio Lang André Abujamra Helena Kendal...
o professor e o mar, com Marcelino Freire 31.01.2024 2:18
Não se deve acordar um sonâmbulo: ele pode assustar e quebrar o pescoço. No primeiro dia da abertura total da cidade curada, o prof. de português acordou cedo e se rumou à escola. Adormecido de uma véspera áspera, errou o caminho e cruzou a praia. Um giz na mão, olhou para o mar e lembrou a sua primeira aula da vida. Uma placa fincada na areia dizia “Perigo, prof”. Foram tantas incertezas. Pela pr...
pombos no cinema, com Luísa Ramos 31.01.2024 1:50
Duas pessoas marcam um encontro. Não se conhecem. Veem-se pela primeira vez. Tudo bem, e você? Entram numa sala escura. Pula pipoca, pouca palavra. O filme começa. Duas histórias correm ao mesmo tempo: o filme e a fortuna do primeiro beijo. O silêncio reina, mas é possível ouvir baixinho o que cada um guarda. Em uma poltrona: será que o beijo vem? Na outra: já vi esse filme. Na tela do cinema, uma...
borracha, com Renata Alves 31.01.2024 1:55
Que vergonha, pensou a borracha de dez centímetros enquanto era embrulhada em um celofane verde para dentro de uma caixinha. Presentear um amigo? Quem dá uma borracha de presente? Ela não concordava. Só pode ser mentira, tem ódio desse amigo? Amigo do trabalho ainda? Inconformava-se, caindo de um lado para o outro na caixinha que balançava. Que sentido faz isso… tudo tem limite. No banco de trás,...
dando bandeira, com Paulo Novaes 31.01.2024 1:55
Mãe faz feijão no morro e a tarde cai mais cedo. O menino brinca no quintal. Quintal pequeno, quintal do mundo, quintal. Menino brinca, mãe ferve, mundo gira. Quintal é o meu mundo, menino pensa. Um feijão no morro. Que tal desbravá-lo? E toma as rédeas do mundo com dois braços magrinhos e abraça o quintal, agora é Natal. Achou os presentes do Papai Noel? Eu pensei que todo mundo morava debaixo do...
um avião passou escrito saudades, com Renato Rapnobre 31.01.2024 1:55
Aqui nesta pedra, quero registrar a minha história. Resumir antes de sumir. Quero reivindicar em algumas linhas tudo o que pude viver e principalmente o que não vivi. Assim, poderão me distinguir dos demais. A pedra será o caminho, o caminho que percorri ao longo dos anos desde o meu nascimento. Quando deixo a minha história na pedra, finalmente paro para observá-la. Porque enquanto vivo e solto,...
bauru..., com Sol 31.01.2024 1:55
Minha vó sempre lutou com as letras e nunca entendi muito bem. Quando pousávamos em Bauru… — a cidade dela —, na hora de dormir, ela dizia que, antes do sono, vinha a luta. Mas por que a luta? Vovó era estudiosa das letras. Ela respondia que, antes de utilizá-las, era preciso essencialmente domá-las. Colocava um pijama de seda, apagava as luzes, marcava o tempo no relógio da cabeceira. O quarto er...
cinquenta balõezinhos, com Maurício Pereira 31.01.2024 1:55
Cinquenta balõezinhos ficavam sob uma redoma de vidro para não fugirem da prateleira numa feira do rolo. Comprei a coleção com advertência do vendedor: “São apaixonados pelo céu. Cuidado, mantenha-os sempre juntos e protegidos”. Assim foram despejados na minha mão, que rapidamente fechei. Com a outra, paguei o vendedor. E não abri a mão por meses, tive muito medo. Banhos estranhos. Dormir? Com uma...
o mundo debaixo das unhas, com Bebé Pacheco 31.01.2024 2:18
Mãe, abençoa a mão da menina, mãe, abençoa essa mão. Essa mão tem sido tão boa pra nós, mãe, essa mão dá a nossa fartura. Essa mão dá de comer, dá de beber. Porque o povo quer retribuir, quer ver a menina feliz. A mão da menina aponta a cura. Enfermos, acidentados e tristes formam fila na nossa calçada, chegam descrentes. Onde a mão encosta, a mão salva. A mão está salvando famílias. Como pode tan...
são ão, com Renata Hein 31.01.2024 1:59
Todo mundo tem segredo, mas o meu me causa medo. Tamanho medo nas horas eu passo, ando com dicionário debaixo do braço. Me espanta o que não conheço: com essas palavras, eu adoeço. De ouvir uma frase que não faça sentido, um arrepio me sobe do pé ao umbigo. É o eco do desconhecido verbalizado, quando não entendo o que foi falado. Qual o significado? Olho para a definição. Assim fico mais sossegado...
a danceteria, com Celeste Antunes 31.01.2024 1:56
Foi em Birigui que chegamos a um bambuzal suntuoso, cujas folhas balançavam em um ritmo dançante, ouvindo uma canção pop dos anos oitentas que saía do falante de algum buraco da terra. Um som de discoteca que só as folhas podiam escutar. Escutar e bailar. E até coreografavam! Ora subindo, ora descendo… Nesse embalo, fomos nos aproximando da pista para participar da brincadeira. Quando percebemos u...
futureza: verde repente, com Caio Lang 31.01.2024 2:14
Quem cuida de um vaso: cuida do futuro. Cuidado: futuro. No vaso alguém planta: o futuro debaixo da terra. Fica o futuro embrulhado: em diversas vontades e intenções. Fica guardadinho: faz de conta que ninguém está vendo. Se olha para o vaso: olha para o futuro. Mesmo no presente: o futuro está na sua frente. Quanta responsabilidade é cuidar do futuro: avançar ou esperar? Ora alguém rega: para agu...
vocabulose, com André Abujamra 31.01.2024 1:48
O primeiro sintoma foi no jantar. Mamãe, por obséquio, quais acepipes estão no cardápio? Os pais se entreolharam. Esse menino está vendo muita televisão. Na escola, assustava os amiguinhos. Profa., pularemos os prolegômenos da aula? Ninguém entende o que ele fala, parece outra língua, dizia a professora, que ficava de cabelos brancos. A mãe, preocupada, passou a observar para descobrir de onde vin...
sinuhe hotel, com Helena Kendall 31.01.2024 1:55
As notícias do interior são quentes. Aflitos estamos com desdobramentos de um ineditismo. Há um mês, um imenso matagal amanheceu uma construção de pé. Achamos esquisito e, no dia seguinte, a construção ganhou um andar. Como acontecia de noite, plantamos dois marmanjos para fiscalizar. Noutro dia, dois andares, fachada azul-turquesa e nada. Nenhum responsável. Gostamos do mistério e visitamos o pré...
astros em casa, com Francisco Okabe 31.01.2024 2:03
Eu não pedi nada. Mas uma encomenda de Tiradentes chegou. Dentro, uma casa de barro em miniatura, com paredes roxas e contorno laranja nas portas e janelas: sempre abertas. Na frente, um detalhe em flor. Por dentro, vazia e sem chão. Sem cheiro. Escrevia uma canção e, quando me faltavam palavras, olhava discreto para a casa no alto, ao lado dos livros na estante. E me inspirava. Isso se repetia. A...
joão sem braço, com Vinícius Zurlo 31.01.2024 2:06
No meio da roseira, uma viola chorava bonito, baixinho, mas com maestria. Alguém passava pela praça enquanto a cidade dormia e ouviu a viola chorar. Foi se aproximando da roseira, devagar, no escuro, a viola iluminada. Que viola! Alguém se emocionou. Chegando mais perto, alguém se abaixou para ouvir e viu. E deu dois passos para trás. E não tardou a tremer. E começou a rezar. Alguém viu! Alguém vi...
pai outra mãe, com Silveriô 31.01.2024 1:46
O pai apertou os cintos, vestiu a touca e os óculos e conferiu o combustível, por precaução. Acertou todos os botões coloridos e recebeu sinal positivo da estação aérea. Pronto para decolar. Era o pior voo da sua vida, fazia parte de um ataque. Seu avião continha uma bomba atômica que seria despejada sobre a sua cidade amada. O pai carregava o peso dela sozinho, era o seu dono, o criador. Uma bomb...
formigas no computador, com Giovana Telles 31.01.2024 2:38
Café em tudo. Meu pai tinha derramado no computador, as letras boiando, a tela com pingos marrons. Na cozinha, bateu um super-remelexo: leite, rosquinhas e achocolatado. Pronto para beber, voltou ao café e já não estava sozinho. Muito feliz, gargalhava balançando o mouse e me chamou. Apontava e ria: enfileiradas e organizadas, formigas nanicas marchavam sobre a tela do computador. Meu pai adorando...
uns choram, outros vendem lenços, com Cida Moreira 31.01.2024 2:07
Onde se lê lãs, flanelas e cobertores também é a casa do coveiro do Cemitério da Saudade. São duas décadas vividas dentro dos campos santos, seu Adamastor é morador. E gosta. Pegou gosto com o pesar dos anos. Um dia descobriu a invasão. O cemitério é alvo popular durante o dia. À noite? Há mais vivos que mortos. Mesmo com expediente encerrado, muitos pulam as ínfimas cercas e dormem na propriedade...
o saudade, com Rafa Carvalho 31.01.2024 2:00
Ô de casa! Tô aqui fora, gritava da calçada o Saudade. Batia palmas, chamava o cachorrinho, assobiava. Algumas pessoas do bairro passavam e assistiam à cena. Cochichavam. Carros cruzavam aquele momento. Eu quero entrar, ninguém atende, mas que diabo, a casa vazia ao meio-dia de uma terça-feira. O Saudade também interfonou ao vizinho, sem resposta. Cansado das tentativas, sentou no meio-fio, abriu...
memória para os dedos, com Olívia Blanc 31.01.2024 1:59
O intervalo do circo tem pipoca, doce e fotografia. O flash pegou mamãe e Lindonéia de surpresa: no fim do espetáculo, vocês ganharão um monóculo. Levaram o amarelinho para casa e Lindonéia não parava de botar o olho. Dentro, uma fotinha dela com mamãe sorrindo na arquibancada (mamãe piscou). Anos foram até a noite que rolava na cama e não conseguia dormir. Nomeara todos os carneirinhos. Debaixo d...
sandra, com Monaju 31.01.2024 1:43
Uma intriga de vizinhos nomeou o bairro Barabaixo. Em um corredor, entre o mercadinho e o boteco, Sandra vivia com plantas cativas. Dracenas, damas-da-noite, rendas-portuguesas, samambaias. Antes de uma casa, um grande jardim. Sandra não morava, escondia-se entre os ramos. Os poucos moradores daquela porção de terra repudiavam. Principalmente no boteco: um cortiço de folhas! Semente do diabo, só j...
nananinanão, com Juliana Mazza 31.01.2024 1:37
Ana tem madeixas brilhantes por onde atravessa o vento: o vento leva e traz ao litoral as chuvas: as chuvas molham tia Sônia e o teto do seu Pálio vermelho: o seu Pálio vermelho, ao ver Pálios de outras cores na rua, acredita em Deus: Deus está entre nós e acompanha Euclides apagando as luzes e gritando nos corredores do colégio com muito medo: o medo se despede das crianças aos doze, mas está mor...
passagens, com Juliano Dip 31.01.2024 1:56
João juntava dinheiro para cuidar da saúde, já há muito debilitada. Dias e dias na cabine, onde por suas mãos passavam notas que acariciava, mas não possuía. Por fora, o trânsito vivo. João enlatado no meio: entre sonhos, saudades, oportunidades e desfechos. Já Tom Mix vinha de uma ervilha para a capital: em suas mãos, o volante guiava o capítulo seguinte. Tom parou o carro de tantos cavalos, a ca...
mibalas, mibalas, com Cebola 31.01.2024 1:47
Mibalas, mibalas . Eram moda na rua as balas da venda do seu Juca. Ele tinha um baleiro de cinco bocas, coisa fina que girava quando a gente cantava. E foi mania entre os moleques do bairro brincar de dedos leves no baleiro. O povo inventa línguas e balas, o truque era manjado. Mas quem está chupando bala não fala. Grande torcedor do Noroeste, seu Juca largava o balcão para ouvir a partida no quar...
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