Felipe Simão

Felipe Simão - Poesias

Arts PT ↓ 318 episódios

Todas as poesias publicadas de Felipe Simão.

Autor

Felipe Simão

Categoria

Arts

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Último episódio

25 de dez de 2024

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Episódios

2 - Eva recifense 25.12.2024

A sua voz é doce, sai mansinha lambuzando os lábios que eu tanto quero provar; nos teus divinos olhos verdes quero mergulhar e na sua infinitude, o seu mundo, o quanto mais eu me aprofundo, posso cada vez mais me esquecer, ser um homem refeito em você, me tornar um semideus, a quem não importa nem o tempo ou o espaço, desfazer todo tipo de embaraço na quentura do teu abraço, desconhecer as mazelas...

1 - Menina do bistrô 25.12.2024

O que será que tenho para te dizer? O que posso te oferecer? Por que decidi este poema te escrever? Seria amor à primeira vista ou apenas um ardor oportunista? Seria um admirador altruísta ou apenas a falta de pudor que há em todo artista?   Qual será o sabor dos teus lábios, à distância tão doces? Queria provar esse frescor, queria sentir o teu calor e te amar no despudor, que ao mundo dos delíri...

42 - 16 de fevereiro 02.09.2024

Essa foi a minha primeira noite sem pesadelos, em dois meses; a vida urbana por si só já é um risco de morte, a vida familiar é um emaranhado de intrigas sem solução dia após dia perigas na beira do abismo e nessa desventura, matura a ideia de que os idealismos são sem razão   Hoje é 16 de fevereiro, sexta feira, 2024, e a única coisa que desejo, no fundo do meu peito, é paz

41 - Vereda 02.09.2024

Para dizer a verdade, percebo que esse caminho de linhas tortas não me levou a lugar nenhum, longe ou perto dos meus sonhos, continuo distante da realização, o caminho em si não me ensinou nenhuma lição sou eu que devo tirar as lições das estradas que escolhi

40 - Vislumbre 02.09.2024

Faz um ano que cheguei; a mulher por quem me apaixonei não é mais a mesma, Ipanema perdeu o vislumbre; a Lagoa a praia, o morro Dois Irmãos, são retoques de uma lembrança que exige novas demãos para não esmorecer com o tempo, como uma pintura em afresco; a clausura do apartamento já não parece desperdício, as aves exóticas já não me inspiram mais que os quero-queros e os pardais as amendoeiras têm...

39 - Sem direção 02.09.2024

Não sei se me entrego ou se só aceito o mau gosto da sorte, a caminhos predefinidos não me apego, expectativas não rego, ando sem um norte, uma bússola é tão inútil quanto a prudência, o quão fútil é a aparência; meu horizonte é traçado por linhas tortas, vejo meras tábuas de madeira que todos insistem em chamar de portas, todo esse grande valor, a propaganda dum predial esplendor, são ideologias...

38 - As palavras voaram 02.09.2024

Quando eu me tornei escritor, as palavras foram perdendo o valor pra mim. Eu percebi que as palavras são como as sensações, só são eternas no papel.   Quando eu me tornei ator, notei que o que as pessoas me dizem, não tem tanta importância, a gente se treina a agir de determinadas maneiras   Quando eu me tornei comediante, cheguei à conclusão de que o maior erro que se pode cometer é levar a vida...

37 - Aquele dia na Lagoa 02.09.2024

Sentado no cais da Lagoa, à frente, uma estátua, às minhas costas, a Cruz de Malta, pela primeira vez meditei de olhos abertos, pois me recusei a fechar as pálpebras diante de tanta beleza, o ar era mais puro, o vento mais brisa, o céu mais azul, as folhas mais verdes, e nada disso é exagero, pois nada era ficção   Naquele dia na Lagoa, venci todos os meus medos, embebido de toda coragem e de toda...

36 - Equilíbrio desconhecido 02.09.2024

Não sei quem sou, o que gosto de fazer, o que gosto de comer, qual é o meu habitat natural, se rodeado de gente ou sozinho no meu quarto, com quem ter, se com mulheres ou com homens, talvez unido aos dois pronomes, talvez com todos os pronomes, que depois eu nem consiga lembrar de todos os nomes, uma loucura que me faça esquecer meus sobrenomes; seria eu comedido ou desvairado? Um sujeito incompre...

35 - La douleur 02.09.2024

Je pense toujours à ma douleur. Qu’est-ce que dois-je faire avec ma douleur ? Évidemment, je dois faire quelque chose, frapper le mur, vivre un amour, écrire un livre, méditer, m’éditer ; je dois transformer la haine, l’angoisse, la désillusion en autre chose que me va faire renaître Je m’ai trop haute En vérité, je ne me permets pas être sans réponse ; je pense que je dois dire quelque chose au m...

34 - Sacola vazia 02.09.2024

Hoje, depois de acordar, me olhei no espelho e eu não estava lá, era outro no reflexo, irreconhecivelmente igual, nem quem eu fui e nem quem eu quero ser, era alguém que se perdeu e foi parar em Icaraí, alguém que não tinha o que era meu e esqueceu de si, que das próprias virtudes se desprendeu e apagou tudo que vivi, largou tudo que aprendi, largou sua cidade para viver um sonho, uma fagulha no b...

33 - O mundo 02.09.2024

Sofá, pipoca, um filme em preto e branco, uma tarde de domingo, o descanso merecido, um recanto de amor por nós construído, quatro lábios colados que nada parte, Casablanca já não é no Marrocos, agora fica em Marte   Dissolvido na cor dos teus olhos, eu me sinto encasulado num segundo, como uma borboleta prestes a voar pela primeira vez, os sonhos tomam conta do ar e o teu rosto fica mais lindo a...

32 - Harmonização facial 02.09.2024

A gente se amava tanto, o primeiro a amor é sempre o mais latente, a eternidade da adolescência cada aula matada pela conveniência do nosso romance o primeiro amor tudo permite tudo fica ao nosso alcance quantas lições perdidas que hoje nada importam nas nossas vidas quantas vontades repentinas correspondidas que o hoje o impulso a gente não se permite a vida de adulto só admite sensatez   Ainda l...

31 - Vida de plástico 02.09.2024

O emprego dos sonhos, estável, bem remunerado, almoços, reuniões, gráficos, relatórios, e-mails, férias na praia, palestras, discursos motivacionais, as mesmas trivialidades, as mesmas piadas na hora do cafezinho, os mesmos assuntos, tempo, família, o que dá certo na cozinha, o novo produto de limpeza, como está engarrafado o trânsito, imóveis, aluguel, contas a pagar, ter que trabalhar, aqueles p...

30 - Itaperuna 02.09.2024

Parece cocaína, mas é só Itaperuna, numa ressaca da festa de Medicina, um café vagabundo que deixa na boca um gosto de milho-torrado, é o sabor amargo da lembrança de que na vida eu nunca tive um verdadeiro amor no apartamento, terceiro andar, abro a janela e fumo o meu prensado para esquecer do meu futuro mal planejado, que no passado nem penso mais; eu só lembro do cheiro do seu condicionador ca...

29 - Intrigas internacionais 02.09.2024

O Universo é imenso, infinito, o dinheiro, o sexo, a vida, tudo é finito, os homens não passam de formigas que conspiram intrigas internacionais, são pedaços de barro aos quais “Deus” deu vida, todos eles vaidosos, prostram-se pomposos, crendo-se imortais, mas a vida uma hora se finda, um dia todo homem jaz

28 - Paixões de um poliglota 02.09.2024

Canções em sueco, filmes em inglês, palavrões em espanhol, obscenidades em francês, pensamentos em italiano, frases em japonês, versos em napolitano ou no dialeto romano, o idioma do cotidiano é o bom e velho português, mas não acaba por aí, de tudo há, de ditados em tupi a cantigas em iorubá   As línguas se mesclam na minha cabeça, lambem meus ouvidos, se perdem na minha boca, se despem diante do...

27 - Quando as fantasias dançavam no teto do meu quarto 02.09.2024

Quando as fantasias dançavam no teto do meu quarto, as palavras tinham valor, eram a única coisa que eu tinha   Quando as fantasias dançavam no teto do meu quarto, o mundo era grande e minha vida era pequena, a realidade era feita de suposições, os meus casos de amor eram inventados e as minhas amizades eram hipóteses   Quando as fantasias dançavam no teto do meu quarto, ficava o tempo todo olhand...

26 - Fábrica de traumas 02.09.2024

Está cega e não me ouve; está surda e não vê; suas palavras, como soam severas   Ela fala, sou todo ouvidos; eu falo, ela é todos ecos da própria voz   Não sei se ela é o meu amor ou meu algoz, um colo acalentador ou uma armadilha atroz, uma mulher que me acaricia ou que me arranha feroz   Tem dias que eu desejo ser imune, nunca mais amar, pois o amor é uma fábrica de traumas é uma emoção que nos...

25 - Amor com toques amargos 02.09.2024

Você me toca doce e eu perco o controle; você me fala azedo e no meu peito se faz um destrambolhe; mas não me descomponho, você insiste, palavras acres por lábios ocres; com deboche rebato, com afeto reinvisto, com meu jeito te reconquisto; eu me deságuo, você se inunda; mão na nuca mão na bunda, mãos e línguas por todos os lugares; meu espezinhar é uma arapuca, tu negas, mas sempre serei mais do...

24 - Rajah 02.09.2024

Deitado no colchão exposto pelo piso gelado observo o caminhar das baratas e já não me levanto num ímpeto assassínio, continuo deitado e as olho com fascínio, admirando a rendição do meu espírito sociopata; a verdade é que eu nunca quis ser diplomata, o meu lugar é aqui com as baratas, onde não me alcança a vaidade de querer mudar o mundo, mas continuo tendo aquele sonho em que eu acordo em Islama...

23 - Resignação 02.09.2024

Às vezes parece que tudo vai virar poesia, que a inspiração se esconde em cada esquina, que cada nuvem andeja no céu veleja pela força de compor um verso, quem sabe até uma estrofe; o poeta sofre com papel e caneta à mão, craveja na folha a mais fustigante aflição e costura a ferida no corpo do lírico eu que já não é mais seu   Às vezes parece que tudo vai virar poesia, mas a vida é feita de tédio...

22 - A crueza que cabe 02.09.2024

Cabelos desgrenhados, lençóis e fronhas desconjecturados, o cheiro de corpos suados, mesclados com látex e lubrificante; queria que o sexo fosse mais poético, mas na falta do edificante, escrevo a crueza que cabe no papel: a irretirável pregnância do sêmen que gera fetos, gruda na pela, mancha os tecidos e empesteia o ar; a hipocrisia que nos propicia os hormônios, de noite casal, de manhã dois es...

21 - Primeira noite no Rio 02.09.2024

Liberto-me dum sono claustrofóbico, sentindo as gotas de suor que secam num colchão velho, ao fundo, o bafo sonoro de sons distorcidos, é o ritmo da favela que arde, o alarde duma solidão coletiva, de quem celebra a modo pagão um feriado cristão; nem tão bem, nem tão mal, abandonei uma rodoviária para ouvir fogos na noite de natal; são os retrocessos da evolução urbana e pessoal na favela do Pavão...

20 - Umbral do pretérito 02.09.2024

Andando pelas ruas de um passado que não me pertence mais, notei a desimportância de tudo aquilo que deixei para trás, uma concatenação de histórias poluía a minha cabeça sofrimentos sem sentido dispostos numa cadeia, como o amargo de se ressentir por não aproveitar um dia bonito numa cidade feia, mas naquele tempo ainda me faltavam algumas peças para fechar o quebra-cabeça, eu não podia saber, ma...

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